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17.6.10

Uma incursão pelo universo budista no Café com Palavras

Não deixem de aproveitar este agradável bate papo com a fotógrafa Ilka Filippini que registrou imagens lindas e conta da sua história com as pessoas do Nepal, Índia e Tibet no início do ano.

Entrem no programa de 12 jun, 'Uma incursão pelo universo budista no Café com Palavras' no link abaixo e boa viagem!

www.tvsolucoes.com.br/canal.php?c=33

Fotografia acima foi premiada na Bienal Nacional de Fotografia Preto e Branco

15.6.10

Dharma Yatri na Copa!

O terceiro jogo do dia na copa tem sido de madrugada aqui no Nepal.

Muito empenho para achar uma televisão em algum lugar que fosse passar o jogo neste horário.

Quando chegamos no lugar que nos tinham prometido que passariam, portão fechado. Tinham dois monges ali também, de olho no portão. Será que estavam hospedados naquela guest house? Nada. Estávamos ali pelo mesmo motivo. Foram nossos companheiros de torcida!

Segue o registro com a grande estupa de Boudhnath.

BRASILLL - 'L' com pronuncia indiana!!!

27.5.10

FELIZ SAGA DAWA!!

Feliz nascimento, iluminacão e paranirvana de Buda Sakyamuni!
"Sempre acreditei que a determinação humana e a verdade prevaleceriam sobre a violência e a opressão. No mundo de hoje, em todos os lugares, há mudanças importantes ocorrendo, que poderão afetar profundamente nosso futuro e o futuro da humanidade, bem como nosso planeta. Decisões corajosas por parte de vários líderes mundiais propiciam a resolução pacífica de conflitos. A esperança de haver paz, preservação do meio ambiente e uma abordagem mais humana aos problemas do mundo parece estar mais presente que nunca."

S.S. o XIV Dalai Lama Tenzin Gyatso

São os votos do projeto Dharma Yatri
Imagem: estupa de Boudhanath, Nepal - Maio/2010

25.12.09

Boudhanath

Dharma Yatri e Projeto Yatra oferecem 1.000 lamparinas em frente a estupa de Boudhanath

Nas vésperas do natal Gen Ngawang Tenphel representando a equipe do Dharma Yatri e do Projeto Yatra (www.projetoyatra.com.br) acompanhado de uma das membras da peregrinação que ocorrerá em breve como também da equipe do documentário que faremos sobre a mesma, Pema Khandro (Richerly Fernandes), ofereceram 5.000 rúpias nepalesas (108 reais) em lamparinas que foram acesas em frente a estupa mais sagrada do Nepal, a Grande Estupa Djarung Khashor. O oferecimento foi feito para que essas luzes iluminem o caminho de todos os seres. Para o benefício de todos aqueles ligados ao Dharma Yatri Peregrinações e ao Projeto Yatra diretamente através de incentivo, apoio e patrocínio como também indiretamente através da teia mágica da interdependência. Possa as atividades Dharma do Dharma Yatri e o Projeto Yatra serem realizadas espontâneamente, firmadas sempre na bondade amorosa para com todos e cada ser sensciente e, a partir deste olhar, que benefícios temporários e definitivos se expandam nas dez direções.

Abaixo, um ensinamento profundo e inspirador dessa prática de oferecimento de lamparinas, por um dos mestres mais extraordinários e realizados deste século e que viveu e dedicou sua última década de vida e energia para ensinar e treinar paciente e amorosamente muitos brasileiros em nosso país, o Brasil.

Kyabje Chagdud Rinpoche magicamente criou um sagrado local de peregrinação budista em nosso próprio país. Khadro Ling, localizado na cidade de Três Coroas, no Rio Grande do Sul, transformou-se não só em um local de prática budista mas também, através da aspiração, visão e bençãos extraordinárias de Rinpoche como também de muitos outros mestres, hoje é um verdadeiro e empoderado local de peregrinação. Em sua área sagrada encontraremos grandes estupas demonstrando a mente iluminada de Buddha, encontraremos o cânone budista completo preservado dentro de seu templo, representando a fala iluminada de Buddha como também estátuas enormes de várias Buddhas, pinturas, templos etc representando o corpo iluminado de Buddha. Em 2008, uma das aspirações e visões deste extraordinário mestre foi completada e espiritualmente realizada - A Terra Pura da Montanha Cor-de-cobre de Padmasambhava - onde encontramos um lindo Palácio empoderado por muitos mestres e dedicado ao Buddha do Tibete, Guru Rinpoche.

A prática das seis perfeições ao oferecer lamparinas
S.Ema. Chagdud Tulku Rinpoche

Na tradição budista Vajraiana, acumulamos mérito para criar circunstâncias temporárias positivas, como saúde, riqueza e longevidade, e, mais profundamente, para revelar nossa natureza de sabedoria. De todos os métodos para a acumulação de mérito pela generosidade, a oferenda de lamparina é um dos melhores.
Ao fazer a oferenda de lamparinas, temos a intenção de que a luz disperse a escuridão de nossa ignorância e dê lugar à clareza e sabedoria. Pensamos nos seres que sofrem e desejamos que seus tormentos sejam suavizados. Aspiramos que todos os seres possam ter clareza mental para descobrir as causas da felicidade duradoura nas ações virtuosas de corpo, fala e mente.
A oferenda, para os seres iluminados, é feita com muito esmero. O mérito criado depende de nossa motivação ao fazê-la, do cuidado ao prepará-la e da visualização ao oferecê-la.


Antes de oferecer qualquer substância ou trabalho físico, devemos estabelecer uma motivação pura, gerando compaixão profunda pelo sofrimento incessante de todos os seres, como também uma poderosa fé, além de respeito por aqueles a quem oferecemos. A virtude é multiplicada ao visualizarmos oferendas ilimitadas que preenchem todo o espaço. Na prática Vajraiana de visualização, o praticante mantém uma visão de que a verdadeira natureza de todas as aparências é pura.
Pelo poder da motivação, visualização e bênçãos dos seres iluminados, benefício inesgotável é criado para nós e para todos. No Budismo Vajraiana, acredita-se que experimentamos sofrimento, pobreza, doenças e condições adversas pela falta de mérito. Há um ditado tibetano que diz que, sem mérito, até mesmo um esforço tão grande quanto uma montanha nada realiza. Acumulamos mérito, por sua vez, praticando generosidade, amor, compaixão, paciência...
A prática das seis perfeições — generosidade, paciência, moralidade, diligência, concentração, sabedoria — é um método que podemos usar para dar suporte à acumulação de mérito quando oferecemos lamparinas ou qualquer outra substância. A generosidade, por exemplo, é consumada com a oferenda de intenção, esforço, do material oferecido e a dedicação do mérito.

A segunda perfeição é a moralidade e a praticamos ao pensar e agir puramente, ao abandonar pensamentos negativos e plantar sementes positivas, ao dedicar o mérito e fazer preces de aspiração para beneficiar todos os seres, inclusive seres negativos.
A terceira das seis perfeições é a paciência, que exercitamos quando encontramos dificuldade em nossa prática — ao visualizarmos, ao mantermos a concentração, ao agirmos cuidadosa e corretamente. Quaisquer que sejam as circunstâncias, permanecemos pacientes.

Em nossa prática de diligência, a quarta das seis perfeições, nos lembramos da preciosidade deste corpo humano e dedicamos nossas vidas para criar benefícios incessantes. A vida é muito curta e não podemos desperdiçar um único dia. Tendo feito uma conexão com um centro de meditação ou qualquer outro lugar de virtude, não deveríamos perder a oportunidade para usar corpo, fala e mente para beneficiar os seres. Os efeitos de qualquer ação realizada em um lugar sagrado são multiplicados.
A quinta das seis perfeições é a concentração, ou estabilidade meditativa. Toda vez que nos focamos em nossa motivação e meditação no ato da oferenda e nos concentramos para não sermos levados por pensamentos comuns, praticamos a estabilidade meditativa. A sexta perfeição é aquela da sabedoria, que significa manter a visão do sabor único e puro do objeto para quem oferecemos, de nós mesmos e da substância ou esforço oferecido: todos possuem a mesma natureza.



A prática das seis perfeições, que trazemos para qualquer oferenda, pode tornar possível um oceano de atividades iluminadas.

Fonte do ensinamento: Chagdud Gompa Brasil

21.12.09

Kahtmandu

No budismo encontramos diversos tipos de representações do corpo, fala e mente de Buddha
As representações do corpo de Buddha geralmente são estátuas e pinturas; da sua fala, os textos sagrados e de sua mente são as estupas.

Historicamente surgida na Índia através das chaitya ou montículos/túmulos funerários do budismo antigo. No budismo primitivo, a forma da estupa representava simbolicamente também a pretuberância craniana (skt. ushnisha) do Buddha, por conter ou proteger a mente do Buddha incapaz de ser percebida, incorporando tanto o diagrama do caminho à iluminação como a iluminação em si própria.

O termo tibetano para Estupa é “Tchorten” (tib. mchod rten) que siginifica literalmente um “suporte para oferenda” e é uma representação simbólica da mente do Buddha. É o nome dado à uma representação física da mente da iluminação ou mente iluminada dos Buddhas. Originalmente na Índia, a Estupa era um simples monte de terra com um ornamento tal como um guarda-chuva o coroando. Este, gradualmente tornou-se estilizado e mais adiante oito tipos específicos de estupa (tib. mchod rten brdyad) foram enumerados na tradição budista na Índia e no Tibete.

A Estupa pode ser considerado um tipo de mausoléu, contendo restos mortais, cinzas ou objetos de grandes mestres já falecidos. É também um relicário, onde guardam-se objetos sagrados desde imagens de Buddha, escrituras religiosas e/ou coisas materials que pertenceram a um grande mestre, tiveram contato com seu corpo ou foram apontadas pelo mesmo como sendo de valor espiritual.


Uma vez, quando um monge estava se prostrando para uma estupa que continha cabelos e pedaços de unhas de Buddha, Ananda perguntou a Buddha quais poderiam ser os benefícios de tal ato. Buddha respondeu:

“Uma única prostação é tão poderosa que, se como resultado dessa ação aquele que se prostrou se tornasse um imperador universal tantas vezes quanto o número de grãos de pó abaixo de seu corpo até as profundezas da terra, os benefícios de tal ato ainda não estariam exauridos.”


Estupa de Boudhanath (tib. mchod rten bya rung kha shor)


Há muito tempo, no Nepal, uma mulher chamada Samvari (tib. bya rdzi mo), filha do criador de galinhas Salé, teve quatro filhos de uniões com um criador de cavalos, um guardador de porcos, um criador de aves domésticas e um criador de cachorros. Samvari e seus quatro filhos ofenderam o orgulho de ricos e poderesos de sua região por ter construído um monumento magnífico em homenagem ao Buddha com as permissões do rei da época, erguendo uma estupa com mel poupado de suas rendas. Quando invejosos senhores feudais solicitaram ao rei a demolição da estupa, ele respondeu que uma vez que a autorização para esta construção tenha sido dada pelo rei, esta não pode ser rescindida, o qual é significado implícito de “Djarung Khashor”, nome dado a estupa.

A história da Estupa Djarung Khashor foi relatada também em Samye, pelo próprio Guru Padmasambhava onde lhe foi perguntado pelo rei Trison Detsen para que contasse a ele e outros discípulos qual foi o fruto das aspirações dos construtores da estupa Jarung Khashor. Guru Padmasambhava narra as preces dos bem-feitores filhos de Samvari e também os aponta como sendo reencarnações passadas dos principais protagonistas no espalhar a doutrina do Dharma no Tibete – o próprio Guru Padmasambhava, o abade Shantarakshita, o rei Trison Detsen e seu ministro Basal Nang. Quando estes quatro cruzam-se no Nepal e no Tibete, seu encontro é descrito como sendo uma re-união.

Quando a estupa foi consagrada 100 milhões de Buddhas dissolveram-se nela como também ela contém a fortuna e bençãos de ter sido preenchida com as relíquias sagradas destes Buddhas (tib. ring gsrel).

Esta escrito que a estupa Djarung Khashor é também uma das oito estupas construídas sobre os Oito Grandes Solos de Cremação das Oito Mamos (Oito Deusas-Mãe, skt. astamatrka) do séquito de Kala Bhairava quando muito tempo atrás Bhairava foi subjugada por Chakrasamvara.