Dukhacharya ou Caverna de Mahakala e Local onde Sujata oferece arroz ao asceta Siddharta
Aqui, é considerado, à parte das margens do rio Narandjana, como um dos locais onde Buddha haveria passado uma estação das chuvas durante os seis anos dos quais ele praticou austeridades anterior a sua iluminação.
Fizemos uma prática mais longa, de mais de 2 horas, com louvores, oferendas de mandala e lamparinas, sutra do coração e mantras ao Buddha.
Seguimos então para o local onde, após Buddha ter renunciado a prática dos extremos da mortificação e tomado a via do caminho do meio, a garota Sudjata oferece a ele arroz e yogurte, nas margens do rio Narandjana.
Prestamos nossas homenagens, oferendas e prostrações.
10.1.10
Caverna Dukhacharya e Sudjata
Dalai Lama fala aos Ocidentais-Bodhigaya
[ensinamentos "recém saído do forno", de Sua Santidade Dalai Lama, transcrito e traduzido rapidamente por nossa peregrina e diretora do filme Dharma Yatra, Melissa Flores]
Audiência para os ocidentais - 09.01.09
Eu gostaria de dar as boas vindas a vocês, e compartilhar algumas coisas.
Primeiro, gostaria de dizer que ocidentais, orientais, em todo lugar as pessoas sao iguais. Por baixo de algumas diferenças na superfície, como a cor, nós todos somos o mesmo. E sendo assim temos a mesma mente, a mesma inteligência, as mesmas emoções. Portanto somos iguais!
Da mesma forma, induísmo, budismo, apesar de serem religiões vindas da Ásia, podem ser compartilhadas pelos ocidentais.
No século 20 e no nosso século, devido a uma soma de diversas formas de comunicação, como livros e outros recursos, muitas pessoas estão tendo contato com o budismo. E naturalmente, entre as milhares de pessoas com background judaico cristão, devido às suas disposições mentais, algumas acabam encontrando no budismo algo mais efetivo, verdadeiro. É por isso que praticamente todos vocês aqui, vem de países não-budistas. Ainda assim vocês expressam um interesse genuíno no buda-darma. Porque, novamente, nós somos todos iguais, todos seres humanos.
Então vocês vem a esse lugar sujo, poeirento, onde os recursos sao poucos. Talvez porque nos seus próprios países, com tantos recursos disponíveis, as coisas as vezes possam ficar meio chatas! (risos)
Além disso, eu acho que é bastante útil olhar de forma mais ampla o mundo, através dos países em desenvolvimento.
Para as pessoas que levam o budismo a sério, meu pedido é: estudem mais. Existem muitos e muitos livros budistas, em diferentes línguas. Leiam, estudem mais. Examinem se o que esta escrito corresponde ao que se passa em suas vidas, em suas experiências. Assim vocês terão um entendimento mais profundo.
Nao pensem que alguma espécie de benção vinda de fora pode mudar vocês. Isso esta totalmente errado. A mudança deve ser criada por vocês mesmos. O Buda foi muito claro. Você é o seu próprio mestre. Portanto eu sou o meu próprio mestre. Meu futuro depende inteiramente de mim mesmo.
Buda como um professor nos mostra isso. Por isso estudar é muito importante.
Muitas pessoas nao acreditam no budismo. Nao há necessidade alguma de acreditar em uma religião. Permaneçam sem acreditar.
De acordo com a tradição Indiana, secularismo significa o respeito à todas as tradições. Um aspecto da democracia neste país é que na Índia, por mais de 2 mil anos tem havido um alto nível de debate intelectual entre as religiões. Mas com respeito. Portanto, respeitem todas as religiões, sem preferência por esta ou aquela, e respeitem também aqueles que não acreditam. Se alguém acredita ou não no budismo, é direito dele. Ninguém pode forçar os outros.
Portanto, eu considero a ética secular universal. Todas as religiões tem uma ética moral de compaixão, verdade, perdão, tolerância. Isso é ética tanto para os religiosos quanto para os que nao acreditam. Ter uma atitude positiva com os outros, traz paz interior. Sentimentos de raiva, desconfiança, ciúmes, criam mais medo, e trazem depressão. Nossa atitude mental é a chave. Isso traz uma vida mais feliz, e é bom para a nossa saúde. Sendo religiosos ou não, nós deveríamos ser mais compassivos. Isso é mais ético. É universal.
Tudo é relativo. Comparado com uma coisa, aquilo parece ruim. Comparado com outra coisa, parece bom. Olhe holisticamente. Olhando apenas um lado, parece muito negativo, e traz raiva, frustração. O mesmo evento visto de um ângulo mais amplo, pode revelar algo positivo. E assim seu estado mental fica mais calmo. Quando você olhar uma tragédia, veja de uma perspectiva mais ampla. A mesma tragédia parece menor. De perto, parece mais séria.
Eu mesmo pratico isso. Uma pessoa que perdeu seu proprio país, vivendo como um refugiado muitas notícias tristes chegam aos meus ouvidos, mas minha mente está ok. Em paz. Isso é útil, profunda paz mental. Isso nao tem nada a ver com religião.
Isso era o que eu gostaria de compartilhar com vocês.
Por último, vocês tiveram a oportunidade de conhecer os tibetanos que acabaram de vir do Tibete? Conversem com eles , escutem suas experiências. Ocupação militar é uma coisa muito difícil.
Vocês deveriam visitar o Tibete e investigar o que está acontecendo lá. Claro que visitar o Tibete é caro. Mas vocês podem emprestar dinheiro de alguém! Depois, vocês podem comprar antiguidades no Tibete e vender nos seus países (risos)! Isso é muito importante. Voces deveriam ir ao Tibete e ver por si próprios o que esta realmente acontecendo lá. E depois você deveriam contar aos chineses e ao mundo o que vocês viram.
Obrigada a todos.
Tenzin Gyatso
(Transcrito e traduzido por Melissa Flores em janeiro de 2010. )
9.1.10
SS Dalai Lama em Bodhigaya

Bodhigaya – Últimos dias
Sua Santidade termina seus ensinamentos. Mais de 34.000 pessoas presenciaram atentamente as palavras de Sua Santidade e o brilho de sua presença.
Sua Santidade oferece no penúltimo dia de seus ensinamentos e de uma iniciação de Avalokteshvara, uma audiênica privada com todos os tibetanos recém vindos do Tibete especialmente para este evento com o Buddha da Compaixão do país das neves.
No dia seguinte, iniciação de Tara, pudja de longevidade oferecido ao Dalai Lama e uma inesperada alegria: Sua Santidade diz que gostaria de agradecer formalmente os tradutores do evento para as várias línguas da quais seus ensinamentos foram traduzidos. Dentre estes, em torno de 10 tradutores, para o inglês, francês, espanhol, chinês, coreano e outras, estavam o monge Ngawang Tenphel e Guilherme Samel sendo prestigiados em frente a mais de 40.000 pessoas por Sua Santidade Dalai Lama. Oferecendo um Kata (enxarpe) ao Dalai Lama, simbolizando seus agradecimentos pelos ensinamentos recebidos e recebendo o lenço de volta como uma benção especial, Sua Santidade pergunta a cada um deles: “Para qual língua traduziste?” “Português, Sua Santidade”, eles responderam recebendo um enorme sorriso de olhos brilhantes e um contentador “obrigado” de Sua Santidade.
Dentre os muitos países, em torno de 47 países estavam presentes no evento. Destes, o maior número de pessoas provinha dos Estados Unidos com 207 americanos, a Russia em segundo lugar, com 100 pessoas, a França em terceiro, com 99 pessoas e assim por diante. Nosso Brasil entrou em 13º. Lugar entre os 47 países, com 32 brasileiros participando do evento, dos quais 26 brasileiros eram de nosso grupo Dharma Yatri. Depois do Brasil tivermos o México com 10 mexicanos e assim por diante.
No final da manhã, outra surpresa, o Dalai Lama iria dar uma audiência privada à todos os ocidentais presentes, provindos destes 47 países. Em sua fala, nos lembra da importância do uso de nossa “inteligência” e capacidade de análise sobre nossa situação, nossos objetivos, o caminho que nos levaria a atingi-los e sobre a realidade que nos circunda compreendendo também nós mesmos como sendo aqueles que fazem parte da criação dessa experiência. Falou também da importância da abertura e compreensão entre todas as tradições religiosas, sobre o bom-senso e honestidade para com nossa prática.
5.1.10
Bodhigaya-Dalai Lama
Local Sagrado, Ensinamentos Preciosos, Mestre inigualável
Meus sinceros cumprimentos desde a terra da iluminação de Buddha!
Hoje, dia 5 de janeiro, Sua Santidade o 14º. Dalai Lama iniciou seus ensinamentos em Bodhigaya, onde congregaram-se milhares de pessoas para ouví-lo. Dentre estas milhares está nosso grupo de 26 peregrinos Dharma Yatri. Sua Santidade está oferecendo ensinamentos sobre os seguintes textos budistas:
• Dzogchen Semnyi Ngalso – “O Repouso Revitalizador na Natureza da Mente na Grande Perfeição” de Longchen Rabjam
• Djigten Le Topa – Louvor ao Transcendente do Mundo, de Nagarjuna
• Lamdron – Uma Lâmpada para o Caminho da Iluminação, de Atisha
• Lamrim Dudon – O Significado Essencial dos Estágios do Caminho [à Iluminação], de Je Tsonkhapa
Sua Santidade inicia em seu primeiro dia dando uma introdução ao caminho budista, desde suas preliminares dentro do escopo de abordagens de prática inferiores e comuns até as superiores e extraordinárias do Mahamudra e do Dzogchen, lembrando que estes potenciais estão presentes em todos os seres independente de religião e etnia. Tal potencial se manifesta de diversas formas tais como amor e compaixão por todos os seres e, qualidades estas, encontramos presentes em praticamente todas as tradições espirituais no mundo.
Os ensinamentos de Sua Santidade
estão sendo traduzidos para a língua portuguesa pelo monge Ngawang Tenphel e por Guilherme Samel, através da iniciativa do Dharma Yatri .
“Descobrimos uma das melhores formas de encontrar um nível de liberação de samsara por algumas horas – o trabalho de traduzir o Dharma simultâneamente”, dizem os tradutores Gen Tenphel e Guilherme Samel, completando “A mente fica absorvida e focada de tal forma que todas as preocupações mundanas desaparecem, e somente o som da fala e o significado Dharma das palavras de Sua Santidade Dalai Lama permanecem”.
Também, nossa equipe do Projeto Yatra, o filme que estamos produzindo sobre o Tema e a prática da Peregrinação, está de vento em poupa, documentando tudo que estamos vivendo, como também participando dos ensinamentos de Sua Santidade com carteirinha de “Imprensa”, através de uma permissão formal requisitada por nossa diretora do filme, Melissa Flores e sua equipe de filmagem contando com Mihay e Pema Khandro (Richerly Fernandes), à organização oficial do
evento. Para saber mais do projeto do filme acesse www.projetoyatra.com.br
Junto a Sua Santidade, recebendo seus ensinamentos estão grandes mestres, tais como Sua Santidade o Karmapa, Ganden Tripa Rinpoche, Dugue Rinpoche, Chamtrul Rinpoche e centenas de outros mestres.
4.1.10
Delhi-Boddhigaya
Nossa Jornada Espiritual Começa
Já de ínicio à Terra da Iluminação e ao encontro do Buddha da Compaixão
Brasileiros de diversos estados do Brasil desde o extremo sul, do Rio Grande do Sul ao quase extremo norte do Brasil, de Recife começam a aterrizar no país dos Aryas, nossa espiritualizada Índia. Nosso grupo está formado num formato muito especial. Em nossa “sangha” de “yatris” dentre os 26 peregrinos que a forma no momento, temos pessoas provindas de diferentes centros de Dharma no Brasil tais como alunos do lama brasileiro Padma Samten, da americana Chagdud Khandro residente no Brasil, da americana Lama Tsering Everest, de Tartang Tulku Rinpoche, Dzongsar Khyentse Rinpoche, Sua Santidade Gyalwang Drukpa e, também, companheiros de busca espiritual, dando seus primeiros passos nos ensinamentos de Buddha.
Com a intenção de oferecer a possibilidade para que nossos peregirnos pudessem passar o ano novo com suas famílias no Brasil, a viagem, de fato, iniciou no dia primeiro do ano de 2010, do Brasil à Índia. Aterrizagem na Índia no dia 2, pequeno passeio na capital Delhi, e à noite, rumo a estação de trem...Sim, vamos de trem, a moda tradicional indiana, para a terra da iluminação de Buddha, Boddhigaya! Lá, encontraremos um outro Buddha, não o rei dos Shakyas, mas o rei espiritual do Tibete, Buddha da Compaixão Avalokteshvara, Sua Santidade o 14º. Dalai Lama.
Motivação, intenção, prática, sabedoria e dedicação dão início a noss jornada.
De nosso trem espiritual à terra pura da iluminação, lhes escrevemos.
– 04 de janeiro de 2010